Arquivo de Novembro de 2009

Encerrado o 25º Congresso Brasileiro de Microbiologia, acho interessante fazer algumas reflexões sobre a área de ENSINO DA MICROBIOLOGIA, campo ao qual estou ligado e sou atualmente coordenador, juntamente com a professora Marcela Pelegrini.

Primeiro, um resumo das atividades do congresso em nossa área (clique na imagem para melhor visualização):

programa 25 congresso brasileiro microbiologia 1 2 - programa 25 congresso brasileiro microbiologia 1 2

programa 25 congresso brasileiro microbiologia2 1 2 - programa 25 congresso brasileiro microbiologia2 1 2


É difícil haver unanimidade, mas o comentário geral dos participantes é que as palestras foram muito boas e que está havendo um natural processo de amadurecimento no grupo ligado ao ensino. Inclusive uma das palestras, a da professora Daniella Jacobucci, fez um retrato muito útil do estado da arte em nosso campo. Sugeri que essa palestra ficasse fixa, sempre antecedendo as outras atividades. Isso serviria para fazermos um acompanhamento da evolução dos nossos trabalhos e dos diferentes grupos ligados ao Ensino na Microbiologia.

Ainda assim, há pontos que precisam ser aprimorados para o futuro: a nossa visibilidade e a difusão das nossas pesquisas. Precisamos de um maior número de ARTIGOS publicados em periódicos científicos e não simplesmente resumos de congresso. Isso foi bastante discutido e as dificuldades inerentes à nossa área são reais e foram claramente expostas e debatidas, mas não deveriam servir de pretexto para a paralisia. Em breve o grupo de discussão de ensino do Google Groups vai divulgar uma lista de periódicos da área de ensino (uma lista preliminar e mais superficial foi compilada por mim e pode ser acessada em “Lista de Períódicos na área da Educação (com índice de impacto)”.

Em breve, mais alguns desdobramentos.

Saiu o ranking das maiores universidades em número de alunos:

ranking numero alunos universidades 1 - ranking numero alunos universidades 1

O link do UOL Educação traz o ranking completo:

http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/11/27/ult105u8928.jhtm

Alexandre Lourenço

Novo artigo no Instituto Millenium

Saiu meu novo artigo no Instituto Millenium. Intitulado “Burocracia e totalitarismo“, é composto de uma breve introdução e logo em seguida uma crônica minha publicada na revista Versátil Magazine:

http://www.imil.org.br/artigos/burocracia-e-totalitarismo/

Alexandre Lourenço

Quanto leem os brasileiros?

Notícia no UOL hoje (clique aqui) resume uma pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro e que mostra aquilo que há décadas sabemos: o brasileiro lê muito pouco, muito menos que seus colegas latino americanos, inclusive. Compilei alguns dados:

leitura - leitura

Como eu costumo brincar, mais um pouco e estaríamos abaixo da significação estatística em termos de pessoas que compram livros não didáticos.



leitura2 1 2 - leitura2 1 2

Se supusermos que os que leem se consideram leitores, temos que 75% destes leitores leem por prazer (dados da pesquisa). Isso fornece um novo gráfico:



leitura3 1 - leitura3 1

Esses dados nos colocam numa posição “invejável”: lemos DEZ VEZES MENOS que os americanos e METADE do que lê um colombiano. Ainda que pese o preço dos livros, o acesso a eles através de bibliotecas públicas e volantes, ou mesmo empréstimo entre amigos parecem solapar o raciocínio de que essa é a única explicação para esse estado de indigência de letramento. E a Internet também não serve para consolar (as pessoas estariam lendo na tela do computador?), porque essa baixíssima taxa de leitura vêm de tempos pré-Internet (outro dado a ser levado em conta: O QUE as pessoas leem na Internet? De acordo com o Google Trends, no período de 2004 a 2009, aqui no Brasil, as palavras campeãs de busca foram, em ordem decrescente de relevância: 1.ORKUT; 2. JOGOS; 3.FOTOS. 4.YOUTUBE; 5. VÍDEOS; 6. MÚSICA; 7. GLOBO; 8. UOL; 9. MÚSICA e 10. MSN. Nada muito sugestivo de leitura no sentido de uma obra literária).

Vendo essas coisas e juntando com outros dados, como os índices de corrupção divulgados recentemente (somos apenas o 75º país menos corrupto do mundo), é intrigante pensar como podemos ser uma potência no futuro se estamos plantando capim elefante e querendo colher laranjas.

Mas nem tudo está perdido.

Temos ao menos certa congruência interna, pois nosso atual presidente não cansa de castigar a língua portuguesa com absoluto desprendimento, além de fazer apologia de que nunca lê nada e isso não lhe fez diferença alguma. Considerando que ele foi reeleito e permanece com altos índices de popularidade (1), talvez o problema real do Brasil seja essa minoria que gosta de ler e que fica atrapalhando os verdadeiros rumos do país.

_________________________________

(1) Não só com altos índices de popularidade como alçado à condição de mito, visto que já temos até um filme sobre ele (feito com verba de empresas que receberam dinheiro público) e mesmo questões no ENADE enaltecendo sua imensa sabedoria frente à burrice das oposições. Essa condição repulsiva a que chegou a sociedade brasileira ganha alguma explicação no livro A TENTAÇÃO TOTALITÁRIA, de Jean François Revel, leitura que aconselho.