Arquivo de Setembro de 2009

Alexandre Lourenço

Como você escolhe a sua faculdade?

Fiquei abismado ao ver a pesquisa do SEMESP feita com alunos sobre como eles escolhem a faculdade privada na qual vão estudar. A matéria saiu no Estadão de hoje (”Aluno escolhe faculdade pelo local e preço“).

A não ser que as pessoas considerem que os anos de graduação são algo tão trivial quanto a cor de uma cueca, essa é uma escolha essencial e determinante para o futuro das pessoas. E muitas vezes essa escolha reverbera por bem mais que uns poucos anos. Montei uma tabela com os dados que permite uma visão panorâmica da pesquisa:

FATOR ESCOLHA UNIVERSIDADE - FATOR ESCOLHA UNIVERSIDADE

É compreensível que o preço seja um fator importante, já que é limitador de acordo com as condições financeiras do aluno.

Mas é muito gratificante ver que a qualidade do corpo docente, que na minha opinião é a espinha dorsal da qualidade de um curso, ficou em penúltimo lugar, empatado com bolsas de estudo, arranhando os 5%. O resultado disso é que as escolas particulares podem se dar ao luxo de contratar maus profissionais por um preço bem baratinho, porque afinal de contas, quem se importa? Há muita espuma por parte dos jovens ao proclamar teatralmente que querem corpo docente qualificado, mas na hora de escolher de fato, a verdade vem à tona como um guincho de predador.

Outro dado que me anima muito é ver que a avaliação do MEC ficou em último lugar. Ou seja, o ministério da educação tem um trabalho descomunal para avaliar as escolas e produzir uma classificação que ajude os estudantes a escolher as escolas de melhor qualidade, mas a montanha está parindo um rato (ou um rato natimorto): isso parece ter uma relevância abaixo do nível de significação estatística. Aliás, revela-se aqui o grau de amadorismo dos jovens como consumidores conscientes, pois Ensino de qualidade ficou com 13%, mais de 4 vezes quem escolheu Avaliação do MEC. Resta saber como os estudantes avaliam uma escola, já que o MEC usa justamente os dados que não temos acesso, como infraestrutura, estabilidade do corpo docente, titulação, projeto pedagógico, etc.. A não ser que as pessoas confiem que a propaganda das escolas na televisão tem forte correlação com sua qualidade.

Outro dado interessante. A diferença entre as classes A/B e C/D:

FATOR ESCOLHA UNIVERSIDADE classes - FATOR ESCOLHA UNIVERSIDADE classes

Como seria de se esperar, classes que possuem mais acesso ao ensino de boa qualidade e a bens culturais desenvolvem senso crítico mais rigoroso. Aliás, esse dado é um gancho excelente para uma reportagem da Veja publicada em 22 de agosto de 2007, onde uma pesquisa mostra que, ao contrário do que papagueiam os esquerdopatas de plantão, a idéias mais retrógradas e antidemocráticas emanam justamente das classes mais baixas e menos letradas (para acessar essa pesquisa, consulte o acervo da Veja: http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx).

Se temos um grupo de consumidores a fazer esse tipo de pressão sobre as escolas privadas, podemos ter certeza que no futuro teremos mais escolas que botecos, um corpo docente tão preparado quanto um recém formado e preços que vão rivalizar com as contas de água da Sabesp.

Bem dizia um antigo coordenador que, em breve, os IPDs* serão maioria no mercado de trabalho.

Lamento pelos poucos alunos que prezam uma boa formação que os preparem realmente para a vida profissional e para a vida. E também pelos empresários do ensino que buscam construir escolas dignas e de qualidade. Ambos serão minoria absoluta.

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* - IPD: Indivíduo Portador de Diploma.

Alexandre Lourenço

Sobre a famosa “dança das cadeiras” nas escolas

Esta chamada saiu hoje na Folha de São Paulo:

danca das cadeiras - danca das cadeiras


Essa idéia de que quanto mais intenso o rodízio de docentes, pior a qualidade de ensino, não só é coerente como está embasada agora pela estatística. Escolas que não tem projeto pedagógico ou valores para conduzir seus rumos geralmente são as campeãs da “dança das cadeiras”. Falta de um norte, más condições de ensino, desestímulo pela ausência de meritocracia ou de reconhecimento e voluntarismo absoluto dos proprietários são alguns dos motivos que levam a trocas freqüentes dos professores; ou porque eles simplesmente são demitidos (corte dos gastos para contratação de alguém pela metade do preço), ou porque se demitem ao não suportar as condições de trabalho. Conheço escolas em que TODO o corpo docente foi trocado em um prazo de apenas 7 anos.

Essa ligação entre baixa permanência e baixa qualidade do ensino pode ser analisada e quantificada, pois o MEC tem um indicador chamado ÍNDICE DE ESTABILIDADE DO CORPO DOCENTE. A fórmula é a seguinte:


Índice de Estabilidade = (número de professores estáveis/número total de professores do curso) x 100


Para se chegar ao número de professores estáveis, monta-se uma tabela com cada docente para um determinado período, ano a ano. Considera-se estável o docente que permaneceu ligado, de forma regular, por pelo menos 70% do tempo em questão (o tempo mínimo para se fazer a avaliação é de 5 anos).

Para acessar um texto do MEC em que se discute esse índice e outros, clique no link abaixo:
http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivos/pdf/ag_pad.pdf

A OAB divulgou os resultados do último exame da ordem. Organizei os resultados referentes à São Paulo e os coloquei em ordem DECRESCENTE de aprovação (percentual de alunos APROVADOS no exame):

oab 2009 - oab 2009

Quem acompanhou a imprensa ultimamente percebeu que tem escola torcendo a ciência da estatística para ela fornecer dados miraculosos. O velho golpe de apresentar dados em números absolutos, esquecendo que essa análise deve ser feita com os números RELATIVOS (aprovados sobre o total de alunos que fizeram a prova) só mostra que a desenvoltura do pessoal em ignorar a realidade e subestimar a inteigência alheia está verdadeiramente olímpica.

Chamou minha atenção que uma Universidade como a Anhembi-Morumbi, que investe tanto em infra-estrutura e publicidade, ficasse quase em último lugar, numa melancólica 30ª posição entre 32 escolas, com apenas 5% de alunos aprovados.

Os dados completos podem ser obtidos em
http://www.oab.org.br/examedeOrdem/pdf/RelatorioAcertosIES_09_1.pdf

Alexandre Lourenço

Imagens visuais e compreensão durante as aulas

Esta é uma notícia muito interessante para quem é professor.

Numa das minhas postagens anteriores, faço apologia do uso do quadro-negro (ou equivalentes, como o “quadro-branco”). Brinco com os alunos que gosto das aulas GLS: “Giz, Lousa e Saliva”. Mas na área de ciências, é impossível passar sem imagens. Não só porque elas são insubstituíveis (por exemplo, uma foto de lesão tecidual vista ao microscópio), mas também porque ajudam de alguma maneira a integrar o conhecimento e consolidá-lo, como mostra esta notícia da Folha de São Paulo de 11 de março de 2009:

imagem visual aprendizado - imagem visual aprendizado

Infelizmente a Folha não traz a referência, mas acredito que seja esta:
http://mc.psychonomic-journals.org/content/37/6/889.refs

A data, assunto e local são coerentes com o relatado nessa micronotícia.

Saiu ontem o Índice Geral de Cursos feito pelo MEC para as Universidades e centros Universitários brasileiros. Ele espelha uma avaliação GLOBAL da instituição e é uma das poucas formas de podermos avaliar quem são as melhores e piores escolas do país. No UOL Educação existe o link para a classificação em forma de planilha do Excel:
http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/08/31/ult105u8618.jhtm

Fiz uma formatação decente da planilha abaixo; os dados estão em ordem classificatória das melhores para as piores:

classificacao universidades 1 2 - classificacao universidades 1 2

classificacao universidades2 1 - classificacao universidades2 1

classificacao universidades3 1 - classificacao universidades3 1