Arquivo de Janeiro de 2009
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Estava na Livraria Cultura procurando um livro e acabei topando com um vídeo que me pareceu muito interessante: “Coleção Grandes Educadores: Howard Gardner - ATTA Mídia e Educação”. Fiquei bastante empolgado, já me achando no famoso “Atirei no que eu vi, acertei no que eu não vi”. Gosto muito do Gardner e já li alguns livros dele. Interesso-me pelas suas teorias e aprecio sua maneira agradável de escrever e explicar. Aprendi (e aprendo) muito com seus textos. Mas nunca havia visto um documentário sobre ele. Comprei o vídeo por um preço que me pareceu razoável segundo minhas expectativas (54,00).
Assim que cheguei em casa, coloquei o vídeo para rodar.
Nossa… que decepção.
Não é um documentário, mas uma narrativa bastante sumária e maçante, revelando um grau razoável e inesperado de amadorismo. Não discuto as qualificações técnicas da narradora, que aparentemente é professora da USP e estudiosa do assunto, mas a arquitetura do vídeo é de dar dó. Não acrescentou quase nada que eu não soubesse e foi construída de maneira monótona, usando repetidamente as mesmas imagens de ‘alunos em aula’ (que são apenas ilustrativas, não informativas).
É claro que fiquei revoltado ao pensar no dinheiro que gastei em uma material natimorto (agora ele me parecia incrivelmente caro), mas não havia nada que eu pudesse fazer: comprei o material por minha própria conta e risco, e sempre alguém pode alegar que é questão de “gosto”. Claro. Deve haver alunos que gostam de professor que passa a aula lendo transparência. Questão de gosto.
Restou-me o desabafo neste Blog, uma catarse necessária e também um jeito modesto de tentar ajudar algum pobre inocente (assim como eu) que esteja planejando comprar o mesmo vídeo.
Mas apesar do meu mau humor, consegui tirar uma lição: ele serviu de anti-exemplo. E não falo isso por brincadeira. Nunca se deve fazer um trabalho simplório só pra dizer que fez. Isso me lembra um conselho muito pertinente que Lígia Fagundes Teles me deu em Águas de Lindóia, há vinte anos atrás: quando for publicar seu primeiro livro, não o faça fino, com pouco material, só pra dizer que publicou alguma coisa, só para estrear. Isso vai te marcar negativamente pela vida inteira.