Arquivo de Setembro de 2008
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Ou guerra de estultices? Os debates políticos realmente se transformaram numa perda de tempo, se é que alguma vez deixaram de o ser. Como é possível que uma candidata como Marta Suplicy possa prometer de forma descarada o impossível nas fuças de todos e ficar por isso mesmo? (como construir algumas DEZENAS de quilômetros de Metrô em 4 anos). Por conta dessas coisas, não assisto mais aos debates.
Descobri hoje, para minha surpresa, que o jornalista Reinaldo Azevedo também não, apesar de ser um comentarista político. Ele colocou uma postagem incrivelmente apropriada no seu blog hoje:
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Não vi
Caros, vou confessar: não tive paciência — saco mesmo — para assistir ao debate de ontem na TV Record. Os jornais e sites noticiosos trazem as notícias. Só volto a tratar de debates políticos quando acontecer algo de realmente relevante, ou quando a legislação permitir que se faça um confronto de verdade, como acontece nos EUA. Ou ainda, vá lá, quando a Globo fizer os seus — nesse caso, a audiência os torna relevantes, ainda que possam ser igualmente aborrecidos, vamos ver.
Para mim, o centro da questão está na mentira. Se um sujeito pode falar o que lhe der na telha sem que os mediadores possam contraditar com o fato objetivo, então os debates se tornam nada menos do que uma outra face da propaganda eleitoral, só que coonestada pelo jornalismo. É preciso repensar esse negócio ou, simplesmente, esquecer essa história.
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A postagem original pode ser acessada em “Não vi” - Reinado Azevedo / 29/09/08
Creio que este trecho merece ser repetido:
“Se um sujeito pode falar o que lhe der na telha sem que os mediadores possam contraditar com o fato objetivo, então os debates se tornam nada menos do que uma outra face da propaganda eleitoral, só que coonestada pelo jornalismo.”
Essa ausência de debate ou crítica baseada no famoso “ninguém é dono da verdade” é o mais famoso argumento e bordão dos maus argumentadores. Assim que a coisa começa a ficar difícil numa discussão, eles sacam do bolso essa pérola e extingüem o debate antes que fiquem de calças curtas. Esse é um dos estratagemas amplamente adotado e repetido como um mantra por muito “intelequitual” por aí. Aliás, faz parte do excelente livro de Schopenhauer “Como vencer um debate sem precisar ter razão“,
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No caderno especial sobre o PNAD de 19/09/2008, o Estadão entrevistou o economista Eduardo Gianetti da Fonseca (”O país cresce em ritmo exasperantemente lento“. Gosto muito dos textos dele, que costumam aliar muita sensatez e uma clara análise racional de vários problemas. Como economista, ele sabe da importância que dados objetivos têm para se fazer uma interpretação lúcida dos fatos.
Na referida entrevista, o trecho em que ele comenta o número de estudantes de graduação no país se destaca:
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Essa análise, que eu concordo plenamente, poderia se aplicar desde os tempos do governo FHC. Naquela época, optou-se por abrir a porteira e só depois tentar conter a manada enfurecida. Serviu muito bem para inflar números que melhorariam a imagem do país no exterior; porém, como diz o velho ditado, “Por fora bela viola, por dentro, pão bolorento“. Quantidade é sempre um índice fácil de alardear (”aumentamos em tantos porcento a quantidade de alunos no nível superior“), mas difícil de qualificar (haja vista a complexidade dos sistemas de avaliação e suas controvérsias - esta semana, na Veja, Claudio de Moura Castro escreveu um artigo interessante: “Quem entendeu a nova avaliação de ensino?” - não achei o artigo disponível na Rede em uma fonte autorizada, uma pena).
Aliás, hoje saiu na Folha uma propaganda muito bem bolada da Universidade Mackenzie que ilustra essa questão da qualidade. Como uma linha d’água, um anúncio de uma faculdade fictícia que oferece cursos pelo celular e manda o diploma pelo correio. Acima dela, o carimbo do Mackenzie, destacando sua diferença com essa abordagem e sua boa colocação nos últimos dados divulgados pelo MEC. Achei-a excelente. Mas como a vida supera a arte, não duvido que algum dia uma escola passe a oferecer graduação em três meses via celular.
Ou eu estou por fora?
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Após a postagem anterior sobre as universidades, organizei a listagem sobre os centros universitários.
Os dados originais podem ser obtidos no site do INEP:
http://www.inep.gov.br/download/igc/IGC_DIVULGACAO.xls>
Para ampliar as tabelas abaixo, basta clicar nelas.
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Enfim saiu uma classificação global de cada universidade brasileira feita pelo INEP. São levados em conta dados do ENADE, qualificação do corpo docente, regime de trabalho, instalações físicas e outros quesitos. Repare que as notas abaixo são uma síntese de todos os cursos ofertados pelas respectivas universidades. Esse é um indicador importante, pois é no conjunto da obra que temos uma idéia mais fidedigna dos valores pedagógicos e do gerenciamento de cada instituição.
O IGC (ÍNDICE GERAL DE CURSOS) é o valor que reflete essa avaliação global (quanto maior, melhor: veja uma explicação do próprio INEP em “Novo indicador aponta qualidade de instituições de educação superior“), e foram criadas faixas dentro desse IGC (vão de 1 a 5, sendo cinco a de melhor avaliação e 1 a pior).
Apenas para lembrar: numa postagem anterior (Enade e as piores escolas de odontologia) comentei sobre uma instituição particular que tirou uma nota excepcional no curso de veterinária. Isso provocou certo estranhamento em mim e muitos colegas, pois ela tem má fama e conseguiu se sair melhor que alguns Campus da UNESP, que é pública. Olhando a classificação abaixo, percebe-se que ela está quase no rodapé da classificação. Ou seja, ou aquela nota muito boa foi um dado circunstancial ou esse curso é uma estranha ilha de excelência dentro de uma escola fraca e cambaleante.
Os dados originais podem ser obtidos no site do INEP:
http://www.inep.gov.br/download/igc/IGC_DIVULGACAO.xls>
Para ampliar as tabelas abaixo, basta clicar nelas.
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