Arquivo de Dezembro de 2007
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E por falar em Second Life (complementando a postagem anterior), olhem esse texto que saiu hoje no Estado de São Paulo:
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Second Life foi destaque na web, mas perdeu força
A internet cresceu tanto, e ganhou tantas novidades em 2007, que levou parte dos analistas a fazer uma previsão alarmante. A rede mundial poderia estar vivendo uma nova “bolha”, ou seja, um período de investimentos e crescimento desordenado – com novos sites e serviços surgindo quase todos os dias. Mas que terminaria com a falência da maioria deles.
Em 2007, a principal “bolha” foi o mundo virtual Second Life. (leia o resto da matéria aqui)
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Tenho uma atração especial pelas novas tecnologias aplicadas ao ensino, mas o fato de gostar delas não me transforma num “deslumbrado” que não nota seus problemas (ou simplesmente se omite de comentá-los).
Há uns dois anos o Second Life explodiou na imprensa, surgindo todo tipo de artigo (em geral fazendo apologia dele) em jornais, revistas e sites. Fiquei interessado, particularmente depois que vi uma repostagem que descrevia reuniões da Petrobrás realizadas no ambiente do programa. “Se uma empresa do porte da Petrobrás resolve fazer, ainda que em caráter experimental, uma reunião no Second Life (SL), então é porque devemos levar a sério esse novo componente da Web 2.0″, pensei com meus botões . Empolgado com uma perspectiva que só existia na minha imaginação, me inscrevi no SL e vaguei algumas vezes pelo seu mundo digital. Depois de um mês usando o programa, minhas impressões eram as piores possíveis, mas confesso que tinha até vergonha de assumi-las, tamanha era a intensidade de entusiasmo que eu via na mídia acerca do SL. Tentando ter uma atitude profissional, resolvi que iria tentar usá-lo com meus alunos, mesmo que eu mesmo ainda não tivesse confiança nesse recurso. Afinal, talvez eu estivesse errado.
Consultei várias turmas para as quais dou aula. Minha primeira surpresa: a maioria nunca tinha ouvido falar dele. Embora isso possa soar como um argumento a favor do SL, eu vejo de outra forma. Tecnologias que capturam a atenção e o interesse dos jovens se alastram com espantosa velocidade. O SL já vinha sendo divulgado há bastante tempo na imprensa de massa, sendo impossível considerar que fosse ignorado apenas pelo fato de ser novo. Só posso considerar que ele não tem elementos suficientemente sedutores como outros programas - uma maneira gentil de dizer que ele é muito chato. Essa foi exatamente a minha impressão quando o utilizei pela primeira vez. E aliás, surpreendentemente, é a impressão dos poucos alunos que haviam mexido com ele. Sem exceção, todos o consideravam um programa chato e pouco intuitivo. Estava abandonado às moscas.
Ainda assim, insisti: propus uma aula no SL. Apenas uma drosófila manifestou-se nos 15 segundos constrangedores de silêncio que se seguiram. NINGUÉM estava interessado no SL, mesmo depois de eu fazer uma descrição animada sobre as possibilidades de interação diferente. Essa reação foi praticamente idêntica nas várias turmas que dou aula. Fiquei me sentindo como aquele vendedor que não acredita no aspirador de pó que precisa vender. Eu mesmo não tinha gostado daqueles bonequinhos toscos e aquela movimentação grosseira sem a menor expressão de vida. Tal como um espelho, meus alunos pensavam o mesmo que eu.
Sepultei o SL, mas deixei uma cordinha dentro do caixão ligada a um sino, caso ele não esteja perfeitamente morto e precise chamar por nós algum dia: semestre que vem eu e alguns colegas vamos fazer um levantamento formal e com embasamento estatístico sobre como os alunos o enxergam e sua vontade em usá-lo.
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>Do Universo Online
“Mais da metade dos estudantes de sexto ano de medicina que participaram do exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) este ano foi reprovada.
Realizada pelo terceiro ano consecutivo, a avaliação ainda tem caráter experimental é não é obrigatória para o exercício da profissão, como o “Exame da Ordem”, da OAB.”(continua)
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Esse é um dos resultados de se abrir a porteira. A criação indiscriminada de cursos que jamais são adequadamente avaliados passa a exigir dos conselhos regionais exames para “filtrar” os formandos. Atire primeiro, pergunte depois. Esse era o lema (não declarado) do ex-ministro Paulo Renato e dos atuais dirigentes. Assim você infla os números do ensino superior e sobe nos rankings da ONU. E desce ladeira abaixo na qualidade.
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A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicou os dados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) referente ao ensino de ciências em vários países do mundo. Uma amarga 52ª posição num total de 57 países coroou uma tragédia que vem sendo configurada há muito tempo: nos últimos dois exames do PISA, um em matemática e outro em leitura, o Brasil ficou em último lugar. Parece que finalmente o ufanismo brasileiro por carnaval e futebol mostra os frutos. Podres.
Fonte: Folha de São Paulo, 30 de novembro de 2007