Arquivo de Maio de 2007

Alexandre Lourenço

Informação: modo de usar

Há poucas semanas atrás dei uma palestra sobre o tema INFORMAÇÃO NA ERA DA INTERNET. Foi bastante interessante e produtivo; sempre que temos que fazer uma apresentação pública, somos obrigados a organizar o conhecimento que temos de forma didática e coerente, e isso em geral produz um avanço notável na nossa compreensão daquela assunto. Esse “rearranjo” permitiu que eu organizasse dados coletados ao longo de anos, despertando novas idéias e alguns insights. A bibliografia dessa palestra pode ser acessada gratuitamente em www.microbiologia.vet.br no item “Bibliografia comentada“.

Temos ouvido falar até a exaustão de que esta é a “Era do conhecimento” (1), e muitas pessoas repetem isso como papagaios, enaltecendo a importância da informação sem saber ao certo o que isso significa. Ou seja, muita firula retórica e muita falação abstrata, mas pouca coisa de objetivo e concreto. Lidar com informação no varejo é bem diferente de lidar com ela no atacado.

Assim como as facas podem cortar queijos ou pulsos, a informação pode ser manipulada para o bem ou para o mal. Não há nenhuma novidade atual nisso. Informação sempre foi manipulável, e as pessoas sempre foram bastante suscetíveis à manipulação. E em tempos de Internet, com o volume colossal de dados circulando e nossas limitações fisiológicas de lidar com esse oceano de informação, parece que enganar grandes parcelas da população ficou ainda mais fácil. Desmascarar os vigaristas, por outro lado, é um exercício penoso e tortuoso. Isso torna cada vez mais urgente, na minha opinião, a necessidade de se debater conhecimento (consistente), informação (transformadora) e educação (crítica).

Um exemplo vale uma montanha de explicações. Este que segue, dispensa maiores comentários (2). É um vídeo do Youtube que mostra a propaganda mais espetacular que já vi até hoje. Faz uns vinte anos que passou na TV, mas nunca esqueci. Ela talvez constitua a mais simbólica das mensagens de alerta à manipulação de informação. Confesso que quando a vi pela primeira vez, cheguei a arrepiar na cena final:

01:27

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(1) - Como se fosse possível esquecer que o conhecimento sempre foi fundamental para uma espécie que se distingüiu justamente pelo tamanho e complexidade do cérebro. Embora uma cidade como São Paulo seja brutalmente diferente de uma tribo de homens-macaco de 200.000 anos atrás, naquela época, como hoje, conhecimento era sobrevivência. A diferença, grosso modo, aparece no volume de informação e no acesso a essa informação (obviamente, na sofisticação também). Quem não sabia caçar e não sabia fazer alianças e sustentá-las, não deixou genes para a posteridade.

(2) - Quando um jornalista perguntou a Louis Armstrong o que era o Jazz, ele respondeu: “Se você precisa perguntar, é porque nunca vai entender”. Acho que esse vídeo e a mensagem que ele veicula (não me refiro ao jornal promovido) é o Jazz da propaganda.