Infelizmente não posso reproduzir o texto inteiro, pois ele é de acesso restrito do UOL, mas aqui vai um trecho:
“Que falta faz o quadro-negro, a maior invenção da didática em todos os tempos, substituída mais tarde pela insossa projeção de slides e, posteriormente, pela praga computadorizada que se disseminou da escola primária aos congressos de especialistas, chamada “data-show”, impessoal, capaz de transformar mestres inspirados em expositores sem imaginação.
No quadro-negro o giz desenha imagens criadas em tempo real com o raciocínio desenvolvido pelo professor, personagem central da transmissão do conhecimento e foco de todas as atenções. Os recursos audiovisuais modernos projetam a informação de forma impessoal, muitas vezes antecipadamente às palavras do expositor, de modo que a tela iluminada compete com ele e monopoliza a atenção da platéia. O audiovisual, método útil, porém complementar, rouba a cena do protagonista; enquanto o quadro-negro é o palco no qual ganham vida os pensamentos daquele que ensina.
O bom professor é um ator emocionado com o texto que pretende ensinar. Ele procura fazê-lo de forma obstinada, de frente para seus discípulos, se possível em pé, com voz firme e olhar determinado, fixo nos olhos deles para perscrutar como reagem seus espíritos a cada palavra pronunciada. É possível criar essa magia com um ser falando no escuro, relegado ao papel de coadjuvante de uma tela de plástico na qual se desenrola a ação?”
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E aqui vai uma frase do texto que eu gostaria de destacar, por achá-la incrívelmente verdadeira e poética:
“O bom professor é um ator emocionado com o texto que pretende ensinar”
Drauzio Varella